Você já reparou a facilidade que o Brasil fala de ISO 9001? Eu sempre me perguntei sobre isso.
Acontece que quando vejo a quantidade de empresas certificadas no Brasil, e vejo o que muitas fazem aqui nos EUA, me reservo ao direito de questionar.
Durante décadas, muitas empresas brasileiras passaram a enxergar a certificação ISO 9001 como símbolo máximo de profissionalismo e credibilidade. Podemos dizer status?
Sem dúvida, a certificação representa organização, padronização de processos e compromisso com qualidade. O problema começa quando empresários confundem ISO com preparo real para competir no mercado americano.
O Brasil possui aproximadamente 19 mil certificações ISO 9001 ativas. Já os Estados Unidos, mesmo sendo a maior economia do planeta e possuindo um parque industrial infinitamente maior, possuem cerca de 30 mil certificações.
Podemos afirmar que é uma diferença relativamente pequena diante do poderio econômico americano perante o brasileiro.
Isso levanta uma pergunta desconfortável: por que tantas empresas brasileiras certificadas ainda fracassam quando tentam exportar para os EUA? Foi o mencionado no início da matéria.
A resposta é simples: ISO não substitui cultura empresarial internacional.
Nos Estados Unidos, o comprador corporativo não quer apenas qualidade. Ele quer previsibilidade; e isso o exportador brasileiro deixa a desejar. Quer prazo cumprido, resposta rápida, documentação impecável, compliance, logística eficiente e capacidade de escala.
O americano não quer “acompanhar” fornecedor. Ele quer segurança operacional! Isso é fato.
Muitas empresas brasileiras possuem ISO no papel, mas não na cabeça do dono como dizia meu querido e saudoso pai. Continuam operando de forma emocional, centralizada no dono e sem mentalidade internacional.
Algumas ainda confundem networking com amizade, acreditam que participar de feira gera vendas automáticas e entram no mercado americano sem presença local, sem estratégia comercial e sem entender a cultura de negócios dos EUA. Sem entender A maneira americana de fazer negócios, o THE American Way of Doing Business.
Outro choque cultural importante é que, enquanto no Brasil a ISO ainda impressiona, nos Estados Unidos ela muitas vezes é vista apenas como obrigação básica. Dependendo do setor, possuir ISO 9001 não diferencia ninguém. É apenas o mínimo esperado.
Por isso, não é raro ver empresas brasileiras tecnicamente excelentes fracassando nos EUA, enquanto empresas americanas medianas dominam o mercado. Muitas vezes, a diferença não está no produto, mas na execução comercial, operacional e cultural.
No fim do dia, o mercado americano compra menos discurso e mais previsibilidade.

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